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Beijo gay na TV

14 maio

Oi gente!

Segue breve comentário da Ana Maria Veiga, jornalista e doutoranda em história, sobre o beijo da novela.
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Na semana seguinte à aprovação da união civil de casais homoafetivos, o SBT (quem diria…) colocava em cena o primeiro beijo entre pessoas do mesmo sexo exibido pela televisão brasileira, na novela Amor e Revolução, que tem como tema as barbaridades da repressão militar durante a ditadura brasileira. Duas mulheres, jornalistas, sem aparência masculinizada, se enroscavam em um beijo quase convincente – não fosse a volta do batom vermelho à boca de uma delas no final da cena. Bem, parabéns! Já era tempo de se tratar com um minimo de naturalidade um assunto tão corriqueiro ao nosso redor.

O que me deixou estupefata, no dia seguinte, foram os comentários sobre o tema na sequência da matéria publicada pelo site que eu uso (Yahoo). Caça às bruxas era pouco para as manifestações homofóbicas, evangélicas, hipócritas. Depois do último censo registrar cerca de 60.000 famílias homoafetivas (fora as outras tantas que devem ter preferido continuar no armário), uma parte moralista da sociedade ainda quer abafar essa existência, empurrando desejos, amor, sexo, famílias inteiras (inclusive com filhos) pra debaixo do tapete social já tão puído.

Um dia flagrei um primo mais velho, já com seus 60 anos de idade, tentando espiar o pênis de um cara sarado na capa de uma revista gay. Fiquei na minha, em respeito à decisão dele de se manter como o pai/provedor de uma linda família. A mulher, é claro, nem sonha com essa possibilidade. Ele, de certo, deve ter encontrado um meio secreto de extravasar seus desejos ocultos.

Um tempo depois, dei de cara com o marido de uma antiga colega de trabalho flertando com um jovem que saía de uma sessão de cinema num shopping. Ele também, bem casado, com filhos já adultos. Resumindo, em que tipo de sociedade nós vivemos? De um lado, igrejas evangélicas que tentam “reformar” os homossexuais, impondo a eles um personagem distante daquilo que são; de outro a igreja católica, cujos casos de pedofilia e desejos (homo)sexuais não cessam de vir a público. Entre estes dois pólos, milhares de famílias que se negam a enxergar a realidade de seus filhos e filhas, pais e mães, além de outros parentes próximos.

Se as pessoas se importassem com seus próprios recalques e não dessem tanta importância às janelas dos vizinhos, tudo não poderia ser mais simples? Por fim, não quero retribuir a raiva nem entrar neste clima já falido de pudicismo e falsa moral. O fato é que nós existimos, amamos, trabalhamos, pagamos nossas contas e até rezamos de vez em quando. Então gente, na boa, façam tudo para serem FELIZES! A tolerância às diferenças ainda é um aprendizado social que está longe de se concluir.

Ana Veiga

Soy Feminista

16 abr

Segue um texto de Florence Thomas que achamos interessante publicar.

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Nunca he declarado la guerra a los hombres; no declaro la guerra a nadie,cambio la vida: soy feminista. No soy ni amargada ni insatisfecha: me gusta el humor, la risa, pero sétambién compartir los duelos de las miles de mujeres víctimas de violencia:soy feminista. Me gusta con locura la libertad más no el libertinaje: soy feminista.

No soy pro-abortista, soy pro-opción porque conozco a las mujeres y creo en suenorme responsabilidad: soy feminista. No soy lesbiana, y si lo fuera ¿cuál sería el problema?

Soy feminista. Sí, soy feminista porque no quiero morir indignada. Soy feminista y defenderé hasta donde puedo hacerlo a las mujeres, a suderecho a una vida libre de violencias.

Soy feminista porque creo que hoy día el feminismo representa uno de losúltimos humanismos en esta tierra desolada y porque he apostado a un mundomixto hecho de hombres y mujeres que no tienen la misma manera de habitar elmundo, de interpretarlo y de actuar sobre él.

Soy feminista porque me gusta provocar debates desde donde puedo hacerlo.
Soy feminista para mover ideas y poner a circular conceptos; para deconstruirviejos discursos y narrativas, para desmontar mitos y estereotipos, derrumbarroles prescritos e imaginarios prestados.

Soy feminista para defender también a los sujetos inesperados y sureconocimiento como sujetos de derecho, para gays, lesbianas ytransgeneristas, para ancianos y ancianas, para niños y niñas, para indígenasy afrodescendientes y para todas las mujeres que no quieren parir un solo hijomás para la guerra.

Soy feminista y escribo para las mujeres que no tienen voces, para todas lasmujeres, desde sus incontestables semejanzas y sus evidentes diferencias.

Soy feminista porque el feminismo es un movimiento que me permite pensar tambiénen nuestras hermanas afganas, ruandesas, croatas, iraníes, que me permitepensar en las niñas africanas cuyo clítoris ha sido extirpado, en todas lasmujeres que son obligadas a cubrirse de velos, en todas las mujeres del mundomaltratadas, víctimas de abusos, violadas y en todas las que han pagado con suvida esta peste mundial llamada misoginia.

Sí, soy feminista para que podamos oír otras voces, para aprender a escribirel guión humano desde la complejidad, la diversidad y la pluralidad. Soy feminista para mover la razón e impedir que se fosilice en un discursoestéril al amor. Soy feminista para reconciliar razón y emoción y participar humildemente en laconstrucción de sujetos sentipensantes como los llama Eduardo Galeano.

Soy feminista y defiendo una epistemología que acepte la complejidad, lasambigüedades, las incertidumbres y la sospecha. Sé hoy que no existe verdadúnica, Historia con H mayúscula, ni Sujeto universal. Existen verdades,relatos y contingencias; existen, al lado de la historia oficialtradicionalmente escrita por los hombres, historias no oficiales, historias delas vidas privadas, historias de vida que nos enseñan tanto sobre la otra caradel mundo, tal vez su cara más humana.

En fin soy feminista tratando de atravesar críticamente una moral patriarcalde las exclusiones, de los exilios, de las orfandades y de las guerras, unamoral que nos gobierna desde hace siglos. Trato de ser feminista en el contexto de una modernidad que cumple por fin suspromesas para todos y todas. Como dice Gilles Deleuze “siempre se escribe paradar vida, para liberarla cuando se encuentra prisionera, para trazar líneas dehuida”. Sí, trato de trazar para las mujeres de este país líneas de huida quepasen por la utopía.

Porque creo que un día existirá en el mundo entero un lugar para las mujeres,para sus palabras, sus voces, sus reivindicaciones, sus desequilibrios, susdesórdenes, sus afirmaciones en cuanto seres equivalentes políticamente a loshombres y diferentes existencialmente.

Un día, no muy lejano, espero,dejaremos de atraer e inquietar a los hombres; dejaremos de escindirnos enmadres o putas, en Marías o Evas, imágenes que alimentaron durante siglos losimaginarios patriarcales; habremos aprendido a realizar alianzas entre lo querepresenta María y lo que significa Eva. Habremos aprendido a ser mujeres,simplemente mujeres. Ni santas, ni brujas; ni putas, ni vírgenes; ni sumisas,ni histéricas, sino mujeres, resignificando ese concepto, llenándolo demúltiples contenidos capaces de reflejar novedosas prácticas de sí que nuestrarevolución nos entregó; mujeres que no necesiten más ni amos, ni maridos, sinonuevos compañeros dispuestos a intentar reconciliarse con ellas desde elreconocimiento imprescindible de la soledad y la necesidad imperiosa del amor.

Por esto repito tantas veces que ser mujer hoy es romper con los viejosmodelos esperados para nosotras, es no reconocerse en lo ya pensado paranosotras, es extraviarse como lo expresaba tan bellamente esta feministaitaliana Alessandra Bocchetti. Sí, no reconocerse en lo ya pensado para nosotras.
Por esto soy una extraviada, soy feminista. Y lo soy con el derecho también a equivocarme.

Florence Thomas
Cofundadora del grupo Mujer y Sociedad
FACULTAD DE CIENCIAS HUMANAS

UNIVERSIDAD NACIONAL DE COLOMBIA

Marzo, 2008

Corpo, gênero e o feminino : Questões para pensar o tempo presente

9 abr

Eis um texto de Beatriz Albino escrito especialmente para um Ciranda da Palavra, outro projetinho do qual faço parte só que anda meio parado, que aconteceu 26 de março do ano passado. Para introduzir, um texto conjunto meu e do Léo, o mesmo da Rádio Campeche.

Mas se você não quiser baixar o texto da Beatriz, leia na integra em: http://cirandadapalavra.wordpress.com/2009/01/29/mulher-corpo-e-genero/

As imagens que seguem junto o corpo do texto são intervenções realizadas pelo coletivo argentino Mujeres Públicas (www.mujerespublicas.com.ar) intitulado Esta Belleza…

MULHER, CORPO E GÊNERO

“…Essa ciranda deve ir mais longe, pois afinal também é preciso pensar e construir uma outra sexualidade. Então estendendo-a para o nosso espaço virtual, convidamos Beatriz Albino (já quase mestre pela Educação Física na UFSC) a escrever sobre sua investigação acerca da politização do corpo das mulheres e sobre o seu trabalho em que analisou dois periódicos destinados ao público feminino: a Página Feminina, suplemento dominical do Dia e Noite, jornal publicado entre 1936 e 1941 em Santa Catarina e a mais conhecida, por que contemporânea, Revista Boa Foma. Alguns comentários poderiam ser feitos antes de adentrarmos ao texto propriamente dito. Surgem exatamente de sua leitura, e das possibilidades de articulação com outras produções intelectuais de relevância. O texto tem como mérito trazer elementos para refletirmos sobre como, no cotidiano mais corriqueiro das publicações voltadas para o feminino, insere-se um projeto homogêneo e normativo acerca do que é “ser mulher”, podendo-se então formular uma análise crítica sobre ele e buscar alternativas concretas para elaboração de outras relações de gênero e sexualidade.

Poderíamos começar a comentá-lo com uma primeira contribuição, colocada a partir do campo da crítica à sociedade de informação, seria buscar a inserção do conceito de espetáculo na construção do projeto discursivo do “ser mulher”. Formulado por Guy Debord no caldo do movimento situacionista surgido a partir de 1958 na França – movimento que, por sua vez, teve bastante influência nas idéias dos estudantes de 68 e nas vanguardas artísticas a partir dos anos 60 – o conceito retoma, entre outras, a idéia de alienação do trabalho instituída por Marx, trazendo-a para a segunda metade do século XX, onde o que abunda são imagens. Enquanto, para Marx, o trabalhador estaria separado tanto do produto do seu trabalho quanto do processo de produção em si, sem perceber que é peça chave no contexto, a humanidade contemporânea, para Debord, estaria separada do mundo real pelas imagens que os próprios humanos produzem deste mundo. Elas teriam agora força de verdade e de realidade, e seriam as principais mediadoras das relações sociais contemporâneas. Voltemos ao texto de Beatriz. Entre o suplemento d’”A Página”, de meados da década de 30, e a “Boa Forma” contemporânea, temos uma multiplicação brutal do espetáculo enquanto forma de relação social. O espetáculo enquanto conjunto de imagens produzidas pelo homem, mediadoras de seu contato com a realidade, parece cada vez mais onipresente e ter cada vez mais força de verdade. . .  Poder-se-ia concluir então que, ao seguir à risca as dietas com calorias contadas, o uso metódico de produtos de embelezamento e a prática precisa de técnicas de sedução e sexualização indicadas no receituário minucioso de Boa Forma, o que se alcança seria, antes de tudo, uma fórmula legitimada do “parecer mulher” no mundo contemporâneo?

Esta seria uma primeira, e ainda muito crua, indagação.

Outro ponto presente no texto é a noção de controle através da construção de uma noção detalhada e cientificamente legitimada do que é ser mulher. Resgatando a abordagem de Michel Foucault, a autora marca uma característica muito importante das relações contemporâneas de poder, no que o intelectual francês caracterizou enquanto “técnicas polimorfas”. Polimorfas por que o poder não é só aquele que diz “não”, marcado por uma perspectiva repressiva de interdição, silêncio, proibição. Embora isto exista, seria por demais unilateral distingui-lo apenas por isto. O poder que funciona é aquele que articula o absoluto “não” com uma imediata possibilidade de um “mas… quem sabe?”. Ou seja, por mais que seja consenso que nossa sociedade escancara e mercantiliza o sexo o tempo inteiro, continua-se dizendo que muito disto “é feio”, “uma vergonha”. Foucault então apresenta a outra cara destes mecanismos de controle, que assinalam teoricamente o que qualquer um de nós vive na prática, ao andar na rua, assistir Tv ou folhear as revistas, dando de cara com propagandas de cerveja ou carro, clipes de rap estadunidense ou de cosméticos em geral : “seja assim”, “haja de tal maneira que todos os homens\mulheres cairão aos seus pés”, etc. Ou seja, não é apenas reprimindo, mas incitando à ação. Mas não à ação capaz de dar início a algo novo, mas sim uma ação específica, repleta de prescrições já estabelecidas, que os sujeitos desempenham com saciedade.

Por último, vale lembrar que geralmente lemos revistas voltadas para públicos específicos (nos caso, mulheres – com suas “Donna DC”, “Ana Maria”, “Cláudia”, “Nova”, “Boa Forma” – e homens – “VIP”, “Playboy”, “Sexy”, etc. ) em momentos de tempo livre, ou seja, quando não estamos envolvidos com o mundo do trabalho assalariado. O espaço voltado para o lazer e a diversão, embora pareça muito separado do trabalho, é, pelo contrário, umbilicalmente ligado a ele, por representar no imaginário o tempo em que há alívio – para que o próximo dia de labuta seja tragável.

Além disso, é espaço de reprodução do capital e de obtenção de lucro cada vez mais relevante, pois é o momento em que todos podem se dedicar a consumir os cada vez mais variados artigos disponíveis. Neste momento também se faz mais efetiva a indústria da consciência materializada na publicidade, filmes, programas de TV, rádio, jornais, internet, etc. A influência que estes exercem sobre a formação de valores é inquestionável. Neles, como texto de Beatriz ajuda a compreender, estão muitos dos elementos para a construção dos papéis sexuais. O tempo livre é, então, um espaço-tempo de luta simbólica, de disputa acerca da construção de valores e modelos do humano.

Vale então recordar de um dos últimos textos de Adorno, cujo título é, exatamente, “Tempo Livre”, para pensarmos o que temos feito com ele: “A falta de fantasia, implantada e insistentemente recomendada pela sociedade, deixa as pessoas desamparadas em seu tempo livre. A pergunta descarada sobre o que o povo fará com todo o tempo livre de que hoje dispõe – como se esta fosse uma esmola e não um direito humano – baseia-se nisso. (…) sob as condições vigentes, seria inoportuno e insensato esperar ou exigir das pessoas que realizem algo produtivo em seu tempo livre, uma vez que se destruiu nelas justamente a produtividade, a capacidade criativa.”O espetáculo multiplicado, enfim, parece corroborar com a reflexão de Adorno há exatamente quatro décadas atrás. Em termos de relações de gênero, isto fica bem mais claro com a reflexão de Beatriz Albino.

Segue então o texto CORPO, GÊNERO E O FEMININO: QUESTÕES PARA PENSAR O TEMPO PRESENTE

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