Arquivo | políticas públicas RSS feed for this section

Sobre linguagem inclusiva

1 jun

Terminei de ler agora uma espécie de livreto do governo mexicano, realizado – me parece, não li essa parte com atenção – com o apoio do CEDAW (Committee on the Elimination of Discrimination against Women)/ONU, de 2009, e pelo que eu entendi revisado e distribuído pelo Consejo Nacional para Prevenir la Discriminación (CONAPRED) do México, intitulado 10 recomiendaciones para el uso no sexista del lenguaje. Não estou mesmo com vontade de reler essa parte para confirmar essas informações, mas elas estão ali.

O ponto que me interessa é que, apesar de toda discussão que pode gerar, achei este um documento bem interessante para se levantar o problema. A maior parte das questões gramaticais do espanhol nesse sentido são semelhantes ao português, o que torna o documento bem útil para nós. Achei especialmente interessante o fato de ao invés de se buscar trabalhar com a redefinição dos artigos “o” e “a”, naquela coisa de “@”, “x” (e até “e” ou “i” já vi serem discutidos), no geral são propostas formas de utilizar os recursos que a própria língua oferece. No caso do português considero isso especialmente positivo, pois assim podemos evitar uma linguagem inclusiva “mussumiana”, como por exemplo “caris amiguis”, que convenhamos, não contribuiria em nada para os chistes que em geral são utilizados para ridicularizar as feministas.

Isso tudo me lembrou algo que escrevi para o terceiro número d´O Independente em 2005, que reli hoje com certo embaraço. Não reescreveria nada daquilo daquele jeito. Mas bem, os textos são datados, e a discussão é a mesma. Apesar de que atualmente tenho minhas dificuldades em localizar as feministas estruturalistas que cito ali!! hehe

Pra quem tiver curiosidade, o livreto pode ser acessado aqui; e o meu texto absolutamente datado, aqui. Fiquei com a impressão de estar devendo um post mais básico sobre linguagem inclusiva, ou trazer algumas discussões do porquê determinados setores da mídia corporativa se negam a chamar a Dilma de presidenta, mas acho que esses pontos cabem em outro momento.

Até logo o/

%d blogueiros gostam disto: