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Em que circunstâncias você consideraria importante dizer que é uma feminista?

11 set

Estou ouvindo a nossa digníssima presidenta fazendo afirmações essencialistas sobre as diferenças entre homens e mulheres, sobre como os homens são mais práticos e as mulheres mais detalhistas (?), ao mesmo tempo em que leio uma entrevista bem mais interessante, publicada em 2010. Nela, Patrícia Porchat pergunta a Judith Butler em que circunstâncias ela consideraria importante dizer que é uma feminista. Ela responde:

JB: Bem, eu certamente não acho que estamos vendo o fim da discriminação econômica contra a mulher, não acho que vimos o fim da desigualdade ou da hierarquia de gênero. Não acho que vimos o fim da violência contra a mulher, não acho que vimos o fim de certas concepções profundamente arraigadas sobre quais são as f raquezas das mulheres ou sobre a capacidade das mulheres na esfera pública, ou sobre uma série de outras coisas. Portanto, essas lutas ainda estão muito vivas. Suponho que, para algumas pessoas muito estabelecidas e economicamente seguras, o feminismo já não é tão forte, já não é mais um atrativo, porque elas podem muito bem ser mulheres que hoje ocupam postos de poder e privilégio, ou de segurança econômica, mas isso, com certeza, não é verdade globalmente. Se a gente olha para diferentes níveis de pobreza, diferentes níveis de escolaridade, vê que o sofrimento das mulheres é incomensurável. Então, sim, eu sou uma feminista. Podemos discutir sobre formulações do movimento feminista ou sobre o status de identidade no interior do movimento, e, nesse caso, eu teria discussões com todo tipo de pessoas, mas esse é um debate no interior do movimento, ou pelo menos sobre a direção que o movimento deve adotar.

O tema da entrevista é psicanálise e feminismo. Se interessar, vocês podem ler a entrevista completa publicada na Revista Estudos Feministas aqui.

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