Isto é machista!

26 jan

Ontem estava vendo qualquer coisa na TV e vi essa propaganda do Santander. Mais uma razão (e esse banco dá várias) pra mantermos nossas contas correntes longe dele.

Ela pode ser mais sutil que as propagandas de produtos de limpeza que a Flora citou aqui anteriormente, mas não deixa de associar o ensino superior com a população branca, e segregar as profissões entre homens e mulheres.

Acho inclusive essa sutileza mais perigosa, porque passa a impressão de um informe publicitário de “bom gosto”, aí as pessoas descansadas, baixam a guarda, e acabam achando normal todos os estereótipos que são reforçados ali.

Os rapazes apresentados serão o futuro orador, o futuro engenheiro. A moça é a futura chef de cozinha ¬¬ Se quiser, você poder assistir a propaganda aqui.

A respeito da MP 557

21 jan

Olá!

Em meio a polêmicas envolvendo estupro transmitido ao vivo em rede nacional, e censura corporativa na internet sendo legalizada sob presidência democrata nos EUA, a MP 557 não tem chamado muita atenção.

Pelo o que li, a discussão pública dessa MP é importante principalmente porque já existe em nosso país legislação suficiente protegendo a saúde materna e combatendo a mortalidade infantil, e não parece haver nenhuma razão convincente de se criar mecanismos como os que propõe a MP (que envolve principalmente o cadastro compulsório de gestantes e a garantia de que elas façam todos os exames e tenham toda a sua gestação acompanhada por órgãos públicos de saúde), que não sejam a coerção e policiamento.

Pondo em outras palavras, caso uma mulher não saiba que está grávida, seja vítima de algum mal-estar, acabe em um hospital por isso, e lá descubra que está grávida, ela será automaticamente cadastrada, e agentes públicos de saúde marcarão consultas e acompanharão sua gestação conforme estipulado. Qual a possibilidade dessa mulher ter alguma autonomia sobre sua condição reprodutiva? Como poderá ela abortar sem ser criminalizada? Como, por exemplo, uma mulher que deseja lidar com a gravidez de formas consideradas alternativas ou mais naturais, como partos feitos em casa com parteiras, ou mesmo que não ache necessário consultas mensais ao médico.. Ou que não pôde ir a alguma consulta específica por inúmeras razões.. Como essa mulher lidará com o policiamento que a MP 557 autoriza? Como ela será tratada?

Não bastasse a criminalização do aborto, teremos uma polícia ideológica, com desculpas higienistas, autorizada pelo Estado, rondando nossos úteros. Seremos fichadas, porque grávidas. As políticas de saúde para as mulheres do Governo Dilma realmente me fazem sentir como se no Brasil, cidadã autônoma, ao menos tanto quanto um homem pode ser, acabará sendo aquela que tiver a “sorte” de nascer inféril.

Trago em anexo carta redigida pela Rede Feminista de Saúde, assinada por representantes de várias instituições, que explica a situação melhor do que eu, e propõe a mesma solução para a questão que encontrei em toda a leitura que fiz a respeito (leitura tendenciosa, claro, só li fontes feministas ^^): que as leis existentes sejam aplicadas, que se faça funcionar toda a assistência à gestante que já está disposta na legislação. Assim se diminui a mortalidade materna sem assassinar nenhuma conquista política pós-ditadura.

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CARTA DE POSIÇÃO DA RFS SOBRE A MP 557

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Canhota indica

28 out

Olá!

 

Acho que deveria ter intitulado o post de “soraia indica”, mas estou entendendo que as meninas concordam comigo. Se não, sempre podemos editar os posts..

 

Nem tudo que é postado é muito bom, mas tenho tido acesso a alguns textos bem interessantes, principalmente sobre direitos reprodutivos,  através do Facebook das Católicas pelo Direito de Decidir. A organização tem um site, mas como muita gente tem Facebook e acessa diariamente, acho que fica mais fácil acompanhar por ali.

 

Nas informações no Facebook, além de endereço e contato, tem a seguinte descrição:

Católicas pelo Direito de Decidir, fundada no Brasil em 8 de março de 1993, é uma organização não governamental feminista. Busca a justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução.

Missão – Promover a mudança de padrões culturais e religiosos, afirmando os direitos sexuais e reprodutivos como Direitos Humanos, para garantir a autonomia e a liberdade das mulheres e a construção de relações igualitárias entre as pessoas.

Visão – Ser referência, para toda a sociedade brasileira, de uma corrente de pensamento ético-teológico feminista pelo direito de decidir.

Objetivos

• Sensibilizar e envolver a sociedade civil, principalmente os grupos que trabalham com serviços de saúde sexual e reprodutiva, educação, direitos humanos, meios de comunicação e legisladores sobre a necessidade de mudanças dos padrões culturais vigentes em nossa sociedade.

• Ampliar a reflexão ético/religiosa em um perspectiva ecumênica. Desenvolver diálogos públicos, tanto na sociedade como nas Igrejas, a respeito dos temas relacionados com a sexualidade, a reprodução humana e a religião.

• Influenciar na sociedade para que reconheça o direito que tem as mulheres a uma maternidade livre e voluntária, com o objetivo de diminuir a incidência do aborto e a mortalidade materna.

• Aprofundar o debate em relação à interrupção voluntária da gravidez, ampliando a discussão em seus aspectos éticos, médicos e legais e lutar pela descriminalização e legalização do aborto.

• Exigir do Estado o cumprimento dos compromissos assumidos nas Conferências Mundiais organizadas pelas Nações Unidas no Cairo (1994) e em Beijing (1995).

• A implementação de programas de educação sexual, nas perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos.

• A implementação de leis, políticas públicas e serviços de saúde, acessíveis a todas as mulheres, especialmente às mulheres pobres, para o efetivo gozo de sua saúde sexual e reprodutiva.

 

Se interessar, fica a dica :)

 

 

A coisa mais importante do mundo

13 out

Olá!

Estou “reblogando” deste link da Universidade Livre Feminista a tradução de um discurso de Naomi Klein sobre os atuais movimentos que ficaram conhecidos como “We are 99%” nos EUA.

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A intelectual e ativista canadense, Naomi Klein, fez um discurso histórico à Assembleia Geral do movimento Ocupar Wall Street

Tradução e nota introdutória de Idelber Avelar – Revista Fórum

Naomi Klein é hoje uma das principais intelectuais e militantes anticapitalistas do planeta. Jovem (nasceu em 1970), apaixonada, corajosa, de brilhante trânsito por uma série de disciplinas e potente domínio da retórica, ela já se destacara como figura central nos protestos de 1999 contra a financeirização do mundo. Em 2000, lançou No Logo, uma crítica das multinacionais e do seu uso do trabalho escravo. Mas foi seu terceiro livro, A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre, que a elevou à condição de uma das principais intelectuais de esquerda do mundo. Com capítulos sobre os EUA, a Inglaterra de Thatcher, o Chile de Pinochet, o Iraque pós-invasão, a África do Sul, a Polônia, a Rússia e os tigres asiáticos, Klein demonstra como o capitalismo contemporâneo funciona à base da produção de desgraças, apropriando-se delas para o contínuo saqueio e privatização da riqueza pública. De família judia, Klein participou, em 2009, durante o massacre israelense a Gaza, da campanha “Desinvestimento, Sanções e Boicote” (BDS) contra Israel. Num discurso em Ramalá, pediu perdão aos palestinos por não ter se juntado antes à campanha BDS.

Nesta quinta-feira, 06 de outubro, Naomi Klein compareceu, convidada, à Assembleia Geral de Nova York. A amplificação foi banida pela polícia. Não havia microfones. Num inesquecível gesto, a multidão mais próxima a Klein repetia suas frases, para que os mais distantes pudessem ouvir e, por sua vez, repeti-las também. Era o “microfone humano”. O memorável discurso de Klein foi assistido por dezenas de milhares de pessoas via internet. A Fórum publica o texto em português em primeira mão. É um comovente documento da luta de nosso tempo.

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Eu amo vocês.

E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.

Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.

Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.

Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.

“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.

Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.

Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.

O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.

Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.

Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.

Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.

Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.

Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.

A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.

Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.

Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.

A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.

A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.

Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.

É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.

Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:

Nossas roupas.

Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.

Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.

E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:

Nossa coragem.

Nossa bússola moral.

Como tratamos uns aos outros.

Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.

Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.

Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ele é. De verdade, ele é. Mesmo.

|cinclube Imagens em Movimento e A Canhota apresentam: Persépolis | 22/09 às 19h no SEEB!

19 set

Para baixar clique aqui.

Em que circunstâncias você consideraria importante dizer que é uma feminista?

11 set

Estou ouvindo a nossa digníssima presidenta fazendo afirmações essencialistas sobre as diferenças entre homens e mulheres, sobre como os homens são mais práticos e as mulheres mais detalhistas (?), ao mesmo tempo em que leio uma entrevista bem mais interessante, publicada em 2010. Nela, Patrícia Porchat pergunta a Judith Butler em que circunstâncias ela consideraria importante dizer que é uma feminista. Ela responde:

JB: Bem, eu certamente não acho que estamos vendo o fim da discriminação econômica contra a mulher, não acho que vimos o fim da desigualdade ou da hierarquia de gênero. Não acho que vimos o fim da violência contra a mulher, não acho que vimos o fim de certas concepções profundamente arraigadas sobre quais são as f raquezas das mulheres ou sobre a capacidade das mulheres na esfera pública, ou sobre uma série de outras coisas. Portanto, essas lutas ainda estão muito vivas. Suponho que, para algumas pessoas muito estabelecidas e economicamente seguras, o feminismo já não é tão forte, já não é mais um atrativo, porque elas podem muito bem ser mulheres que hoje ocupam postos de poder e privilégio, ou de segurança econômica, mas isso, com certeza, não é verdade globalmente. Se a gente olha para diferentes níveis de pobreza, diferentes níveis de escolaridade, vê que o sofrimento das mulheres é incomensurável. Então, sim, eu sou uma feminista. Podemos discutir sobre formulações do movimento feminista ou sobre o status de identidade no interior do movimento, e, nesse caso, eu teria discussões com todo tipo de pessoas, mas esse é um debate no interior do movimento, ou pelo menos sobre a direção que o movimento deve adotar.

O tema da entrevista é psicanálise e feminismo. Se interessar, vocês podem ler a entrevista completa publicada na Revista Estudos Feministas aqui.

Mais um pouco sobre propagandas machistas

6 set

Por: FloraLorena

Em outro post já falei um pouco sobre as propagandas que transformam a mulher em mais um objeto à venda.

Para esse post aqui o que me motivou a escrever foram os anúncios dos produtos de limpeza.

Vocês se lembram de alguma propaganda onde aparece algum homem limpando? Ou algum homem preocupado com a limpeza? Ou algum homem testando um produto novo no mercado?

Nesses anúncios a mensagem é muito clara, o trabalho doméstico deve ser função exclusiva da mulher <— #istoémachista.

Se não me engano a única propaganda de produto de limpeza com homem é a do Bombril, mas nesse caso ele é o garoto propaganda, vende os produtos para as mulheres, não é ele que usa esses produtos. Mais recentemente a Bombril lançou uma nova campanha com o slogan “Os produtos que evoluíram com as mulheres”, uma frase que reforça o trabalho doméstico como tarefa unicamente feminina. Nessa nova campanha o garoto propaganda oficial foi substituído por mulheres, que durante os comerciais estereotipam os homens como seres inúteis, sobre isso a magnífica Lola já escreveu um post. Nessa campanha a Bombril cita que a mulher deve convocar o homem a ajudar na limpeza, mas todas sabemos que ajudar na limpeza não é o mesmo que dividir as tarefas. A ajuda está totalmente condicionada ao desejo de ajudar ou não, enquanto a divisão de tarefas impõe responsabilidades.

Outra marca de produtos de limpeza tem como slogan “Sai fora neura”, colocando que estes produtos facilitam a vida da mulher, deixam a casa limpa, por consequência a mulher se torna menos neurótica com a limpeza e com mais tempo livre. No entanto se essas tarefas fossem divididas igualmente ela teria seu tempo livre garantido. Na realidade o problema da falta de tempo não é um problema da qualidade dos produtos, mas um desdobramento da dupla jornada da mulheres.

Observar o machismo nas propagandas, nos programas de televisão, nas conversas de ônibus, ou em outras atividades cotidianas, nos faz perceber o quanto ainda precisamos avançar na luta feminista, embora nossa condição seja melhor que das mulheres de outras épocas.

Para uma discussão mais qualificada sobre o trabalho doméstico leia o livro da Soraia ;]

 

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Cineclube Imagens em Movimento

3 set

No mês de setembro A Canhota terá uma sessão no Cineclube Imagens em Movimento.

Exibiremos a animação Persépolis na quinta dia 22 de Setembro.

Faremos uma banquinha com o Livro da Soraia e os adesivos “Isto é machista”

Clique na imagem para ampliar

Blog do Cineclube Imagem em Movimento

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Canhota convida

29 ago

Intervenção em propagandas machistas

11 ago

Por: FloraLorena

Começamos uma campanha para intervenção em propagandas machistas.

Tudo começou num bar, quando uma companheira feminista e eu nos deparamos com uma propaganda de tequila inegavelmente machista. Uma mulher nua e de quatro servia como mesa para um copo de tequila, limão e sal. A discussão sobre o caráter machista, ou não, da propaganda virou o assunto da mesa. Um de nossos companheiros, não sei se por pura provocação ou por crença mesmo, afirmou que tal propaganda não era machista, o rapaz só foi convencido que  aquela propaganda diminuía as mulheres quando outro companheiro pediu para ele se imaginar na situação da mulher da propaganda. Depois disso o caráter machista do cartaz ficou um pouco mais claro para o nosso companheiro. Ficamos pensando no que fazer com aquela propaganda, as pessoas pareciam habituadas às propagandas machistas, tão habituadas que nem percebiam o machismo presente nelas. Na falta de saber o que fazer resolvemos escrever com uma caneta “Machismo Mata” por cima do cartaz, a caneta era uma esferográfica comum e o resultado final não ficou legal, pouco legível e meio tosco até.

No dia seguinte tivemos um café das Canhotas, relatei o que ocorreu na noite anterior. Conversa vai, conversa vem, decidimos fazer adesivos para colarmos nas propagandas machistas, a frase não havia ficado definida. “Machismo Mata” era legal, mas não tinha muita relação com a intervenção nas propagandas. Foi pensando no quanto as pessoas parecem acostumadas com as propagandas machistas, algumas sequer enxergam o machismo dos anúncios, que resolvermos escrever “Isto é Machista”.

“Isto é Machista” quer provocar uma reflexão sobre os aspectos machistas das propagandas. Para nós feministas esse machismo parece tão óbvio, mas para muitas pessoas passa desapercebido. São tantas propagandas machistas carros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, cosméticos, produtos de higiene feminina, TVs por assinatura, sapatos, festas, etc. que as pessoas parecem acostumadas com o fato das mulheres serem tratadas como mais um produto oferecido pelos comerciais.

Para intervir é só baixar o arquivo e imprimir os adesivos –> clique aqui.

Para compartilhar suas intervenções mande uma foto para esse e-mail (floramuller@gmail.com) que publicamos no blog.

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